Melanie a contadora de histórias

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Melanie a contadora de histórias

Mensagem por Mel em Sex Jun 12, 2009 11:29 pm

O começo
A menina perdia-se no meio daquela grande confusão. Homens com armas de fogo e grandes gigantes animados por uma força para ela misteriosa faziam daquela cena a mais assustadora possível para a pequena Mel. Sabia que iria acabar morrendo se não encontrasse um lugar seguro, porém nenhum lugar daquela cidade a muito conhecida lhe vinha à mente como seguro.
Seus olhos encontraram um vestígio de segurança e para lá se dirigiram. Um pequeno beco sem saída constituía tudo o que ela naquele momento via como seguro. Estava escuro e ela sentia frio e um cheiro forte de sangue. Havia uma guerra acontecendo lá fora e ela sabia disso, porém não conseguia com sua pequena experiência como contadora de historias, com suas palavras apenas, se defender.
Foi quando os viu entrando no beco: eram grandes homens fortes vestidos com as cores do exército inimigo. Ela não sabia se seria morta, ela não sabia na verdade nada do que poderia acontecer com ela realmente, sua mente infantil, não habituada ainda às guerras não conseguiu enxergar o que poderia lhe acontecer.
Eles a viram assim que adentraram um pouco mais no beco e andando na direção dela a fizeram tremer de medo. Eles a olhavam com um olhar assustador e ela esqueceu tudo o que podia ser útil dos ensinamentos de seu pai.
Seu pai era o maior contador de historias daquela região e ensinou a ela a arte das palavras, deu-lhe a sabedoria e a versatilidade necessárias para sobreviver no mundo apenas com palavras, mas naquela situação tudo aquilo simplesmente parecia não ter existido.
Mais um homem entra no beco, esse por sua vez não usa as cores de nenhum dos dois exércitos, ele está vestido com roupas simples e rasgadas, com um cheiro forte de mar e álcool. Apenas ela pareceu reparar na existência do novo homem o que deu a ele a chance perfeita de esse tornar seu herói.
O homem sozinho após um breve discurso sobre como se portar com uma dama e após se apresentar a ela como Jack, o justo, matou os outros dois homens com um tiro de sua belíssima pistola ornamentada. Sua agilidade, força, suas palavras, seus olhares, seu modo de andar, tudo faziam daquele estranho, um homem diferente. Ela reparou nisso pouco depois de vê-lo.
Jack a chamou lhe perguntou seu nome e sua idade e com pena da pobre menina, logo tentou achar seus pais. Nunca mais a pobre menina veria sua mãe amada, a melhor cozinheira da cidade e a dona da taverna onde ela preparava comidas para os viajantes; nem seu doce pai, contador de histórias belo que encantava a todos com seus mais diversos temas e contos.
Quando descobriu que seus pais haviam falecido, a menina percebeu que o fato de ela estar viva se devia ao estranho homem ao seu lado. Ele a olhou, como se tivesse tentando descobrir o que se passava em sua mente, mas a única coisa que conseguiu ver foi uma admiração enorme que transbordava do olhar dela.
O convite veio logo após isso: ele a chamou para viajar junto a ele em seu navio e conhecer todo o mundo ao seu lado. Ela se perguntava por que aquele homem realizava todos os sonhos dela e a protegia de todos os seus medos sem ao menos ela lhe dizer uma palavra.
Ela logo aceitou o convite e quando partiu do porto ela descobriu que nunca mais seria a mesma. A utilidade dela dentro do navio foi crescendo conforme ela pegava intimidade com os tripulantes, no começo ela mal varria o chão, mas conforme os meses voavam, ela se tornou a alma e a alegria do navio com suas historias de todo tipo.
Infelizmente a segurança dela, para ele, era mais importante do que sua companhia, portanto, quando a deixou sozinha no porto ele disse a ela pela primeira e ultima vez o quanto a amava e se preocupava com sua segurança. Ela, apesar de entender não queria deixá-lo, por isso ele teve que explicar a ela a perigosa missão dele: ele teria que ir até um lugar longínquo (obs. para o mestre, você pode escolher o nome do lugar) enfrentar um grande número de inimigos para salvar sua irmã.
Quando ela ouviu aquelas palavras sabia que ele não voltaria e por isso combinou consigo que se ele falhasse, ela tentaria salvá-la. Ele partiu, apesar dos protestos incessantes dela.
Sem saber como ganhar dinheiro na ausência dele (apesar de ele ter deixado dinheiro a ela, ela resolveu que não usaria se não tivesse como pagar), ela decidiu seguir fielmente os ensinamentos do pai e foi para a taverna antiga de sua mãe, atualmente de amigos dos seus pais, e começou a contar sua história aos presentes. Eles pouco se interessaram pelo seu drama e ela perspicazmente percebeu que as historias de aventura que ela contava para os piratas lhe seriam mais úteis.
Ela então, tendo sucesso, começou a todas as noites ir contar historias para as pessoas por lá, e assim os meses voaram, depois os anos voaram e quando Jack voltou, ela já não era mais uma menina, ela era uma mulher.
Porém seu Jack não parecia o mesmo, ele estava mais frio e arrogante, mas ela pensou que era apenas cansaço de uma viagem longa e difícil. Foi apresentada a irmã dele, mas nada se pareciam. Ela ainda assim, ingenuamente voltou para o mar com ele.
Após poucos dias, ela sem ver mudanças no comportamento de Jack, perguntou-lhe o que estava acontecendo, ele, para a surpresa dela, admitiu não ser o Jack e a fez prisioneira.
Mesmo assim Mel foi libertada pelos tripulantes do navio que gostavam muito dela e com um tiro, de uma arma de seu real herói, matou o impostor e comandou o navio de volta para o porto. E lá esta ela hoje, morando na antiga taverna de sua mãe, que foi reconstruída por amigos da família, contando as historias de seu Jack e ate mesmo algumas de suas aventuras, a procura de um novo herói para inspirá-la.
Após, meses residindo na velha taverna que fora de sua família, Mel, já se sentia em casa outra vez, já conhecia cada detalhe do lugar como conhecia do navio quando lá morava. As pessoas que lá freqüentavam, ela também já conhecia, seus costumes, olhares e histórias preferidas.
Todos que lá freqüentavam também já a conheciam, por ela ser bela e boa contadora de histórias, pessoas ilustres e importantes passaram a freqüentar a pequena taverna, pois ela em suas noites seduzia não somente a imaginação dos que até lá iam, como também seduzia seus olhares e suas mentes.
Numa noite quando a taverna já estava vazia, um homem de aparência tranqüila e severa entrou, não para escutar uma história, mas para lhe contar uma. Aparentemente passando muito mal, o homem prostrou-se diante dela e começou a lhe dizer coisas curiosas, ele dizia que ao ouvir uma de suas muitas histórias ele descobriu ser o pai de um dos personagens de uma delas, da mais famosa das suas histórias, da história de Jack, o justo, o qual tem o nome real de Antonio Marie de Castllo.
O homem parecia ter desprezo na voz quando disse o nome e disse a ela: se você quiser encontrar o herói das suas muitas histórias para que ele possa torná-las verdade, você antes terá de pagar por essa informação com um favor, escute bem, pois não irei repetir, eu quero a caixa, não se engane achando que esta é uma caixa qualquer, eu quero a Caixa de Prata. Ela o olhou com o olhar meio perdido, ela não sabia do que ele estava falando. Ele percebendo isso começou a descrever a caixa: ela é pequena com suas mãos, tem runas tão antigas nela que foram lá colocadas em uma época tão antiga que nem o pai do seu tataravô teria como lembrar essas runas e você não teria como contar o número de runas nela, nem se tivesse nas mãos o número de dedos igual ao de estrelas. E o mais importante para você diferenciar a caixa de qualquer outra é que ela não tem nenhum tipo de tranca.
Ela se perguntava se seria capaz de encontrar um objeto tão magnífico como aquele parecia ser. O homem após olhar pra ela durante alguns minutos, perguntou-lhe se ela estaria disposta a fazer aquilo e ao ouvir o sim como resposta perguntou a ela o que o filho dele tinha de mais.
Com os olhos brilhando, Mel começou a narrar sua historia preferida: Jack era o pirata mais temido de todos os mares, tinha fama por ser mau e completamente insensível a tudo o que acontecia ao seu redor que não atingisse diretamente a ele, mas, além disso, tinha fama de ser o homem mais sábio de todos os mares. Um dia duas mulheres, confiando na sabedoria dele foram até ele com um grande problema, as duas afirmavam serem donas de um mesmo lugar, viúvas de um mesmo marido e mães de um mesmo filho.
Jack logo perguntou-lhes o que ele poderia fazer por elas e ele teve como resposta de cada uma a mesma frase dita em uníssono: “Quero que o senhor diga a essa impostora que sou eu a real senhorita Carolina Desperow!”. Ele muito sábio como era, pediu que lhe trouxessem o filho mais novo de Carolina. Olhou para as duas mulheres e lhes disse: “Dividirei tudo ao meio, pois não tenho como provar qual de vocês é a real Carolina, portanto cortarei a criança que está nos meus braços ao meio e darei metade dela e de tudo a uma de vocês e a outra metade a outra.” Uma das mulheres na hora concordou com o trato, porém a outra chorando, implorou que desse a outra mulher tudo, porém que poupasse a vida da criança.
Na hora Jack descobriu qual das moças era a verdadeira mãe e deu-lhe eu bebê e direito a todas as terras, logo depois mandou matar a impostora, e desde então tem sido chamado de Jack, o justo!
O homem pareceu surpreso com a história, levantou-se e disse a ela que ela era a melhor contadora de histórias que ele já tinha tido a oportunidade de conhecer, disse-lhe que passaria dali a tanto tempo (tempo escolhido pelo mestre), virou as costas e saiu sem se despedir.
Daquele dia em diante, ela tinha um novo objetivo, reencontrar o seu Jack e encontrar a Caixa de Prata.
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Mel

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